segunda-feira, 24 de março de 2008

Respirar...

Há uns tempos, estava eu sentada num assento de comboio urbano, daqueles que fazem a ligação entre Porto e Aveiro, e segundos antes de partir, entra uma rapariga ofegante, que correu para não o perder e acaba sentada no banco à minha frente. Esta rapariga está realmente ofegante, mas respira de uma forma como nunca ouvi ninguém respirar e eu penso que terá alguma dificuldade respiratória e daí a estranheza do seu respirar... Começo a pensar em mil e uma hipóteses, mas à medida que a vou observando começo a aperceber-me de que se trata de uma pessoa diferente das demais que se sentam naquele quarteto de bancos, no qual me incluo. Esta rapariga, já respira com mais calma, mas no seu estabilizar para um respirar mais calmo faz sons diversos, que não identifico na minha mente como algo conhecido para mim. Ao observar com mais detalhe apercebo-me, não sei como, talvez alguma espécie de sentido inexplicável, que ela não ouve. E não ouve, e não ouve mesmo, pois todos os seus movimentos resultam em barulhos exagerados, desde o abrir da mochila, ao correr do fecho, ao arrumar do guarda-chuva. São sons estranhos para mim mas associados a objectos tão habituais... Esta rapariga não ouve e por isso age em consonância e quase parece que os objectos que manuseia sabem da sua surdez, pois eles próprios se comportam de modo diferente e emitem sons não ouvidos antes no mundo dos som. Tal como os objectos, também o seu corpo conhece a sua surdez e daí a respiração ofegante que se dá a liberdade emitir sem pudor, pois ela não sabe nem nunca saberá que o seu corpo o faz, quase que como sem autorização para tal, em segredo.
Parece-me interessante pensar como os nossos sentidos influenciam o modo como vivemos e interagimos com os outros e até mesmo com o nosso corpo e objectos. Pergunto-me em silêncio, quais serão os sons que emitem as pessoas que não ouvem nas mais diversas situações... por exemplo quando choram, quando riem, quando ficam espantadas mas não o querem mostrar... etc. etc. Como não se ouvem, não estão concerteza tão preocupadas em como se fazem ouvir...

Um gato numa montra...

Há um gato que dorme na montra de uma loja, e é um gato de verdade, não falo de um gato de louça brilhante, que permanece imóvel... Bem, na realidade, também este gato de verdade permanecerá (sem)imóvel equanto dorme, e nesses momentos quase se confundirá com um gato de "biblot"... Este gato tem a sua casa numa montra, onde vive. Uma montra de verdade com outros "biblots" que o acompanham na sua vida diária, mas est'outros sem vida permanecem no seu lugar, enquanto o gato vagueia pela montra e fora dela, numa vida de verdade?!!? Será que o gato está a representar? Pois sabe-se observado? Seria interessante pensar neste gato como tendo uma vida dupla, uma para os transeuntes que passam pelo seu palco/montra e outra aquela que vive fora dele. Que poderia fazer um gato na vida real para além de comer e dormir? Não vejo grandes possibilidades... Seja como for, parece-me um gato feliz, este gato peculiar que vive e dorme numa montra...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Yupiiiiiiiiiiiii

Estou quase a terminar a minha tese de mestrado! :) Quem quiser que acredite, pois eu acho que ainda não acredito bem nesta grande vitória. AHAHHA
Eh pa, e mais uma coisa, sabem... muita (quase tudo) na minha vida mudou ultimamente e acho que também por me ter metido nisto. Apesar de antes de fazer, achar uma enorme perda de tempo, confesso que agora tenho de dar o braço a torcer, pois para mim foi (está a ser) uma enorme batalha, um desafio a que nunca pensei propor-me nem tão pouco lidar com ele tão bem... Tive de impor a mim própria uma disciplina e organização de que não me sabia capaz, é impressionante do que somos realmente capazes e eu acho que nunca me tinha(m) posto à prova desta maneira.
Conclusão, hoje, tenho mais trabalho (tese e o do dia-a-dia) como nunca tive e nunca me senti tão produtiva em todos os campos... Claro que tive uma ajuda fantástica da minha mãe, pois fui dispensada das tarefas domésticas :) Seja como for, é sem dúvida uma experiência interessante... ;) Enquanto me lembrar, não me meto noutra destas LOL